Portugal

I’m back! Minha história até aqui – Parte 3

Leia as Parte 1 e Parte 2 aqui!

A Joana já era famosa entre nós. Ela era ex-namorada e o motivo da Lu ter mudado para Portugal, então, ela foi assunto de muitas das nossas conversas em grupo. Elas haviam terminado há muitos anos, mas eram muito amigas e ela sempre estava por lá, todas a conheciam. Todas, exceto eu que só a conheci pessoalmente neste jantar. Para mim, ela sempre foi um mistério e, agora, o “mistério” estava ali, sentada ao meu lado naquele jantar de natal.

Ela ficou super interessada em mim e na minha trajetória, achei aquilo incrível. Depois do jantar, ela me levou para casa, trocamos telefone e começamos a nos falar com frequência. Ela ligava para saber se eu estava bem, me convidava para sair ou almoçar, me buscava na academia, sempre estava na casa da Lu quando eu chegava lá para um café ou algum jantar… Ela era muito carinhosa e atenciosa e eu não fazia ideia de onde eu estava me mentendo. Eu estava encantada.

Os meses se passaram e chegou a Páscoa. Mais uma vez fui convidada para o almoço de Páscoa na casa Lu. Neste dia, decidi que daria uma chance a Joana, bebi algumas taças de vinho e nos beijamos… Passamos a tarde inteira juntas, ela me acompanhou até em casa e dormiu lá. Eu ainda não tinha certeza se estava preparada para me envolver com alguém, mas não tive a chance de escolher.

Depois daquele dia, ela literalmente invadiu minha vida. Não consigo entender até hoje como aquilo aconteceu. Foi tudo muito rápido. A Joana invadiu minha mente, bagunçou tudo, transformou tudo (não, não leiam isso de forma romântica). Ela me dominou. Quando eu dei por mim, ela já tinha as chaves da minha casa, já tinha um monte de móveis que eu não queria lá dentro, já tinham os pais e amigos dela jantando na minha mesa sem eu sequer saber que eles estariam lá. Ela tinha o controle da minha vida.

Eu tinha uma estante antiga muito grande na minha sala, gostava de ter meus livros ali e algumas lembranças de viagens e da familia. Mas a Joana era uma acumuladora e, em poucas semanas, todos os espaços da estante estavam ocupados com tudo que você possa imaginar, desde isqueiros velhos até tampinhas de garrafa e guardanapos de restaurantes… Tinha tudo! Eu não podia nem pensar em dizer que não ou tirar alguma coisa dali, que a tempestade vinha e me colocava em frangalhos. Eu já não era dona na minha própria casa, apesar de sempre ter sido eu quem pagava por ela.

Eu já não era mais eu mesma. Eu me anulava para evitar conflitos, eu me anulava com medo de que ela atentasse contra a própria vida, eu me anulava com medo dos escândalos, com medo de que ela pudesse fazer alguma coisa contra mim… Ela conseguiu me dominar completamente. Eu me sentia drenada emocionalmente.

Pouco a pouco, eu fui ficando sem amigos, sem ninguém por perto. Para ela, todos os meus amigos estavam interessados em mim de alguma forma e eu tinha que tomar cuidado, tinha que me afastar. Se eu não o fizesse, era porque eu estava “correspondendo” às investidas fantasmas deles. Mas uma vez, eu estava em um relacionamento abusivo. Mas o esquema psicológico da Joana era tão complexo e bem estruturado que eu não conseguia me desvencilhar, eu fui pisando naquela teia como um inseto prestes a ser devorado.

Além das meninas do ap da Lu, não me sobrou nenhum amigo. Eu não tinha mais ninguém. Apesar da Lu ter passado maus bocados durante seu relacionamento com a Joana, ela e as meninas do apartamento a achavam incrível, simpática, apaixonadíssima por mim. Como uma doçura daquelas poderia fazer mal a alguém…Até eu duvidava de mim mesma. Com certeza, eu estava exagerando, talvez eu realmente estava dando motivos…

Eu me sentia anestesiada. Tinha medo de “dar motivos”, tinha medo de escândalos, eu só tinha medos… Eu já não olhava para os lados. Saia na rua olhando para chão (cabeça baixa mesmo!), que era para não ouvir que eu estava “trocando olhares” com alguém e evitar qualquer tipo de conflito.

Uma vez fomos para uma balada que ela escolheu (ela sempre escolhia tudo). Estávamos eu, ela, a Lu e a namorada. Atravessamos o salão para sentar na outra ponta, porque ela queria ficar perto do palco. Alguns minutos depois de sentamos, um rapaz se aproximou de nós e se apresentou. A Lu, muito serelepe, nos apresentou ao rapaz e ele insistiu para saber o meu nome, não respondi. Eu sequer olhei para o rapaz, baixei a cabeça e fiquei olhando para os meus joelhos. Ele perguntou se podia sentar conosco e as meninas responderam que sim. Ele então, puxou uma cadeira e chamou o garçom. Perguntou quais bebidas todas queríamos e eu respondi que não aceitaria nada. Naquele momento eu já tinha dado a noite por encerrada.

(Continua…)

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