Portugal

I’m back! Minha história até aqui – Parte 4

Antes de continar, leia as Parte 1, Parte 2, Parte 3!

Em poucos minutos, apareceram mais 3 amigos, mas estes logo perceberam que éramos dois casais e foram embora. O rapaz insistiu em puxar conversa comigo e eu o ignorava, mative uma atitude grosseira até, respondia mal e não me atrevia a olhar para ele. Ao invés disso, segurava firme uma mão na outra e encolhia o corpo, olhando cada vez mais para baixo, eu já estava apavorada… Ele então perguntava coisas sobre mim para as meninas e pagava mais bebidas. Eu não bebi nada aquela noite, tinha medo de que minha situação pudesse piorar se eu aceitasse alguma coisa. As meninas (incluindo a Joana), no entanto, aproveitaram a situação e beberam sem gastar um centavo. Quanto mais eu me encolhia, mais interessado ele ficava. Eu tinha certeza de que não teria uma noite calma. Eu estava com medo do que aconteceria quando chegássemos em casa. Foi uma sensação horrível.

No caminho de volta para casa, a Joana já me olhava de lado e falava: “você não deveria ter se mostrado daquele jeito para aquele rapaz, eu vi você fazendo charme”, as meninas, já bêbadas, concordavam dizendo que eu não devia ter (sic) “me feito de difícil para não o deixar mais interessado”. Minha cabeça estava girando, aquilo não fazia  o menor sentido. Mal chegamos em casa e tudo começou… Uma discussão horrível! A Joana gritava que eu tinha “me oferecido” para o rapaz e eu só chorava encolhida no canto do sofá. A Joana tem uma personalidade cativante, sorridente e brincalhona. Mas quando ela ficava furiosa, parecia um monstro, ela parecia que duplicava de tamanho e era uma visão assustadora. Parecia outra pessoa.

Ela andava de um lado para o outro, esbravejando que eu era uma puta, que eu não a merecia, que eu ia para a academia para “me exibir para todo mundo”, que isso, que aquilo… Que ela era uma idiota em ter se apaixonado por mim, que era culpa minha, que eu fazia charme e joguinhos para brincar com os sentimentos das pessoas, como tinha feito com aquele cara na balada, como eu tinha feito com ela e mais um punhado de coisas. Nesta noite, ela gritava tão alto que acho que acordou todo o prédio. Ela batia as portas e andava pesado, até que pegou as chaves da moto e saiu, dizendo que não poderia viver mais assim… Que tinha que espairecer e que se ela morresse, seria culpa minha.

Eu morava na praça da República, um lugar que sempre considerei calmo e acolhedor. Naquela noite, eu saí descalça, escada a baixo, pedindo desculpas e implorando que ela ficasse. Ela tinha bebido muito e eu não suportaria se alguma coisa acontecesse. Eu chorava, soluçava, implorava… Ela subiu na moto, me empurrou e foi embora, acelerando fundo e cortando o silêncio da madrugada na praça da República. Eu caí de joelhos, sem força, minha cabeça girava, eu não sabia o que fazer… Fiquei ali, no frio e no escuro da praça da república, de joelhos e apavorada. Só conseguia imaginar a moto da Joana espatifada no chão e o sangue em volta do seu corpo. Eu jamais me perdoaria se alguma coisa acontecesse com ela. Era minha culpa.

Voltei para casa e liguei desesperada para as meninas, elas disseram que iam ajudar. Depois de algumas horas, me ligaram de volta dizendo que ela estava na casa de uma ex-namorada (que na verdade era a casa dela… A ex morava na casa dela… Complicado, eu sei). Nesse momento, explodi em um choro de alivio, confusão e medo. Eu não conseguia mais viver aquilo.

(Continua…)

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